Livros

  • Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade, com estudo introdutório de Elias Thomé Saliba

Escrita em 1962 e incluída no ciclo Marta, a árvore e o relógio, Os Ossos do Barão, de grande repercussão crítica, foi também, a peça maior sucesso de público dentro da extensa obra de Jorge Andrade. Mais do que em outros trabalhos do autor, aqui se impõe, na crítica à mitologia bandeirante e às “famílias paulistas de quatrocentos anos”, o componente humorístico. Em 1973 o próprio autor (fazendo uso de elementos de uma outra peça sua, A Escada) escreveu a adaptação de Os Ossos do Barão para a televisão, resultando numa telenovela de grande repercussão na Rede Globo. Esta edição traz uma introdução ao teatro de Jorge Andrade por Elizabeth R. Azevedo, e uma análise desta peça, por Elias Thomé Saliba. Jorge Andrade (1922-1984) é visto, pela crítica especializada, como um dos mais importantes dramaturgos brasileiros do século XX.

Autor: Jorge Andrade
Papel do Editor: Editora Cintra
dimensões:
Língua: Português

 

  • Rosane Pavam O cineasta historiador: o humor frio e o filme Sábado, de Ugo Giorgetti. São Paulo: Alameda, 2015.

 O huO cineasta historiadormor entrou na moda: rimos de tudo, rimos cada vez mais e isto mostra que o humor é uma espécie em extinção. Eis um dos muitos paradoxos de nossa época, os códigos humorísticos disseminaram-se de tal forma que não sabemos mais definir o que é o humor.Nesta era do divertimento acelerado, o humor firmou-se na base da extravagância gratuita, trivializado pela embriaguez dos refletores ou pela ligeireza do slogan. Décadas atrás, Gilles Lipovetsky já nos advertia: quanto mais humorísticas se tornam nossas sociedades mais elas manifestam o seu medo pela extinção do riso.
Escrito por uma pesquisadora arguta e sensível, este é um livro que se aventura nas sendas ainda praticamente inexploradas do humor negro. Ampliando a pesquisa do seu livro anterior, Rosane Pavam investiga a presença desta imprecisa modalidade de humor na filmografia do cineasta paulistano Ugo Giorgetti, especialmente em Sábado, uma comédia de 1994. Roteirizado no formato quase à clef do Edifício Martinelli – um documentário produzido ainda em 1975 por Giorgetti. O personagem central de Sábado é o Edifício das Américas, o qual oscila naquela espécie de gangorra entre o cômico e o trágico.Desviando-se, contudo, da categoria do humor negro, a autora redescobre na sua pesquisa outra modalidade de humor, o humor frio – assim definido porque “parece jogar água sobre a fervura do contentamento e do senso de libertação, reação que se seguem às boas piadas.” Pelas sendas tortuosas do humor frio, Rosane nos mostra que o edifício de Giorgetti é uma metáfora microcósmica da história de São Paulo e do Brasil.(Elias Thomé Saliba).

Veja o booktrailer do livro, com Direção e a música-tema (“Valsa Garcia”) de Maurício Tagliari e intérpretação ao piano de Luca Raele:

 

  • Paula Esther Janovitch Preso por trocadilho: a imprensa de narrativa irreverente paulistana 1900 – 1911. São Paulo: Alameda, 2006.

Com fortes traços de crítica social, aliados a inovações de linguagem e caricaturas, uma imprensa humorística “enfrentou”, no começo do século XX, o bom tom pretendido em publicações “concorrentes”, como a Cigarra e os jornais O Estado de S. Paulo, Correio Paulistano e Diário Popular. As redações ficavam no chamado Triângulo, a convergência das ruas Quinze de Novembro, São Bento e Direita. Era lá, num ambiente que preparava o terreno para o modernismo de 1922, que tudo acontecia. Ao lado das grandes confeitarias, das pensões alegres e das lojas requintadas, os jornalistas descreviam, em tom de paródia, o cotidiano de uma cidade caipira, que misturava o italiano, o alemão e o japonês ao “erre” interiorano.
Os textos destes jornais eram rápidos e certeiros. Como num instantâneo fotográfico, as imagens iam surgindo do barulho contínuo das máquinas de escrever, adornadas pelo trabalho dos ilustradores. Publicidade, editoriais, crônicas, sonetos e caricaturas misturavam-se e cresciam na forma de humor. Em Preso por Trocadilho, Paula Ester Janovitch narra as mazelas desse dia-a-dia fragmentado e, o melhor de tudo, deixa que os personagens de sua pesquisa falem, ou por outra, escrevam. Assim, textos pouco conhecidos, escritos por autores esquecidos, ressurgem com uma deliciosa jovialidade, numa “espécie de jogo divertido, da arte que zomba da própria arte” ” como até o “sério” e acadêmico Graça Aranha notaria na conferência de abertura da Semana de Arte de 1922, quando se meteu com essa gente e pôs seu enorme prestígio (é, o mundo dá voltas…) a serviço do modernismo.

http://www.alamedaeditorial.com.br/preso-por-trocadilho/

 

  • Elias Thomé Saliba. Raízes do Riso: a representação humorística na história brasileira: da Belle Epoque aos primeiros tempos do rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 2002:
Capa
O riso surge da estranheza e do imprevisto, mas é também invenção histórica. Em Raízes do riso, o historiador Elias Thomé Saliba analisa o humor que se criou no Brasil entre o final do século XIX e a década de 1940. Na imprensa diária ou semanal, nos palcos dos teatros de revista, gravada em discos, filmes e programas de rádio, a produção humorística desse período ocupou um amplo espaço na vida nacional, mas seus criadores quase nunca foram reconhecidos pela chamada alta cultura.
Irreverentes e críticos, entretanto, os humoristas brincaram com a linguagem e com os costumes e fizeram a crônica de um período de profundas transformações históricas. Provocando o riso, contribuíram para forjar a identidade brasileira. O livro revela como a produção humorística brasileira atuou no processo de modernização do país, na criação de um novo jornalismo e no desenvolvimento de novos meios de comunicação, ao mesmo tempo que inovou no uso da língua, aproximando a cultura escrita da tradição oral.
Saliba revigora o estudo da história cultural e oferece um texto pontuado por divertidas anedotas e caricaturas, capaz de nos fazer refletir – de ângulos originais – a respeito do Brasil e da visão de mundo dos brasileiros. Leitura gratificante, esta é uma bela demonstração do aforismo de Wittgenstein: “O humor não é um estado de espírito, mas uma visão de mundo”.

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11517

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