Disciplina: Narrativas Históricas e Narrativas Humorísticas

Universidade de São Paulo USP

Departamento de História – Pós-Graduação em História Social

Disciplina FLH5368

Narrativas Históricas e Narrativas Humorísticas: Dilemas Metodológicos e Perspectivas para uma História Cultural do Humor

 Área de Concentração: 8138

Criação: 22/10/2013

Ativação: 22/10/2013

Nr. de Créditos: 8

Carga Horária:

 Terças-feiras: 9:30- 13:00 hs. (ministrada no 2. semestre de 2014)

Teórica(por semana) Prática(por semana) Estudos(por semana) Duração Total
4 4 2 12 semanas 120 horas

 

Docente Responsável: Elias Thomé Saliba

 Objetivos: Estudo das várias modalidades de narrativas humorísticas, a partir das grandes teorias da comicidade, acentuando a historicidade das diferentes linguagens e territórios da produção humorística. Reflexão sobre a validade dos padrões cômicos brasileiros na construção de inúmeros circuitos alternativos de sociabilidade e de um espaço da divergência, de crítica da linguagem e de limiares pouco subservientes aos significados hegemônicos da cultura.

 Justificativa: Tradicionalmente vistas pela historiografia como artigos descartáveis, ou, quando muito, como momentos que aliviam a generalização analítica – será válido um esforço hermenêutico e de pesquisa para compreender as manifestações humorísticas, elevando-as do cotidiano efêmero a índices privilegiados da história cultural? Atuando nesta área de pesquisa desde 1996, acreditamos que este esforço é não apenas legítimo como nos vem permitindo maior grau de clareza na compreensão da história e da cultura brasileiras. Foi só nas últimas décadas, no ambiente intelectual difuso das chamadas “viradas lingüísticas” e “viradas subjetivas” que o humor vem encontrando guarida tanto nos vastos castelos quanto nas choupanas mais escusas da historiografia. Ao falar em narrativas humorísticas não estamos pensando apenas numa modalidade lateral ou residual do discurso na chave da ironia ou da meta-história como certos autores, ditos estruturalistas e pós-estruturalistas pensaram. Trata-se de algo que tem a ver com um campo mais vasto, envolvendo um verdadeiro campo de pesquisas. Até que ponto as narrativas de cunho humorístico não oferecem perspectivas para uma historia cada vez mais fragmentada e em busca de sua própria identidade? Após a virada lingüística dos anos 1980 e 1990 e uma, ainda pouco definida, virada subjetivista, ocorrida nos últimos 10 anos – a linguagem deixou de ser apenas um elemento acessório na configuração epistemológica das ciências humanas. E já que é quase trivial dizer que o humor é uma experiência humana tão variada, diversificada e disseminada que quase tudo acabaria ganhando a definição de humorístico – este curso pretende dar a conhecer a vasta bibliografia recente sobre o tema e tentar definir as narrativas humorísticas ou pelo menos, delimitar alguns de seus territórios. De qualquer forma, enveredando por uma hermenêutica menos sistemática, mas muito mais flexível nas entradas metodológicas, pretende-se mostrar como as linhas interpretativas mais recentes de uma história cultural do humor têm permanecido eqüidistantes, tanto do debates a respeito das grandes teorias do riso quanto de um empirismo anódino, nos quais a galáxia do cômico se sujeita a contrações e dilatações arbitrárias.

 Conteúdo:

  1. O novo cientificismo e a novas abordagens do riso: fisiologia, paleo-humorologia, primatologia e ciências cognitivas.
  2. Esboço de uma classificação das teorias clássicas sobre o Humor: é necessária uma teoria para a história cultural do humor?
  3. A questão da narrativa na epistemologia e na retórica humorística.
  4. Territórios de pesquisa do riso e do humor; fontes e perspectivas de pesquisa.
  5. Humor brasileiro em perspectiva: existem padrões cômicos na cultura brasileira?

Forma de Avaliação:

A avaliação será realizada através da participação nos seminários e outras atividades programadas, da leitura da bibliografia indicada e na elaboração de uma pe

Bibliografia:

Bibliografia sumária
Baecke, Antoine de. Lês éclats du rire: essais sur la gaieté française des Lumières au Romantisme. Paris, U.G.E, 1999.
Burke, Peter. “Fronteiras do cômico no início da Itália Moderna” IN Variedades de História Cultural. Trad. Alda Porto, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2001. 113-135.
Clarke, Allastair. The pattern recognition Theory of Humour. Montreal, Pyrrhic House, 2008.
Eco, Umberto. Entre a mentira e ironia. Trad. Eliana Aguiar. S. Paulo, Record, 2007.
Ehrenreich, Barbara. Dancing in the streets; a history of collective joy. Nova Iorque, Henry Holt, 2008.
Gay, Peter. Modernism: the lure o heresy; from Baudelaire to Beckett and beyond. N. York, Norton, 2008
Gallagher, Catherine e Stephen Greenblatt, Practicing new historicism (Chigaco, Chicago U. Pres, 2001), especialmente o capítulo Contra-História e Anedota .
Ginzburg, Carlo. Olhos de Madeira; nove reflexões sobre a distância. Trad. Eduardo Brandão, S.Paulo, Cia. das Letras, 2001
Ginzburg, Carlo. O fio e os rastros. Verdadeiro, falso, fictício. Trad. Rosa Freire d’ Aguiar. São Paulo, Cia. das Letras,2007.
Grojnowski, Daniel. Aux Commencements du rire moderne: L´esprit fumiste. Paris, Librairie Jose Corti, 1998.
Le Goff, Jacques. Jesus riu ? IN L’ Histoire, Paris, n.158, setembro de 1992,pp.72-76.
Provine, R.A. Laughter; a scientific investigation. N.Y., Penguim, 2003.
Morreall, John. Taking Laughter Seriously. 2a. ed., State University of New York Press, 1999.
Saliba, Elias Th. Raízes do Riso, 3ª. edição, São Paulo, Cia. das Letras, 2008.
————–“A dimensão cômica da vida privada na República”IN História da Vida Privada no Brasil, vol/III: República: da Belle Époque a era do Rádio, org. Nicolau Sevcenko. 1º. Ed. S. Paulo, Cia. das Letras, 2010, pp.289-366.
Saliba, E.Th., org. A história do humor no Brasil: uma bibliografia comentada, São Paulo, USP, 2009.
Screech, M.A. Laughter at the foot of the cross. Allen Lane Press, 2003
Press, Nathalie. Pour le rire! La blague au XIXe. Siècle. Paris, P.U.F., 1994.
Townsend, Mary Lee. Forbidden Laughter : popular humor and the limits of repression in nineteenth century Prussia Michigan, Michigan U. Press, 1998.
Alguns “clássicos” do humor que serão analisados no curso:

Luciano. Diálogos dos Mortos. Ed. Biblingüe grego/port., trad., introdução e notas de Henrique G. Murachco. São Paulo, Palas Athena/Edusp, 1996.
Diderot, Denis. La paradoja del comediante. [Publ. Póstuma 1830] Trad. Guadupe de La Torre. Buenos Aires, Longseller, 2003.
Joubert, Laurent. Traité du Ris; suivi d’um dialogue sur la Cacographie Française [1579], Genève, Slatkine Reprints, 1973.
Stendhal, Du rire; essai philosophique sur um sujet difficile et autres essais [1813-1814] Paris, Plon, 1987.
Gogol, N. A saída do teatro depois de uma peça de comédia. Trad. Gladys de Santanna, Porto Alegre, L&PM, 2001.
Tesauro, E. Tratado dos Ridículos trad. de Claudia de Luca Nathan. Campinas, CEDAE-Unicamp, 1992.

 

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