Participação no XVII Congresso Internacional de Humor Luso-Hispânico

Participação de integrantes do Grupo no XVII Congresso Internacional de Humor Luso-Hispânico, ocorrido em Araraquara-SP entre 9 e 11 de novembro de 2016.

Programação completa disponível em:  http://congressodehumorlusohispanico.blogspot.com.br/p/programacao.html

Comunicações:

  • Sala 14- 10 de novembro das 14:00 as 14:15: Elias Thomé Saliba – Aforismos risíveis: notas para uma historia cultural do Humor proverbial brasileiro. 
    Resumo: Não há nada de menos definível do que o aforismo, embora a melhor receita seja reconhecível por todos: brevidade da forma mais argúcia do conteúdo. “Um mínimo de som para um máximo de sentido”, na definição certeira de Mark Twain. Mas o que mais define o aforismo é que ele sempre conta uma espécie de piada numa única frase, introduzindo sempre uma guinada repentina ou um solavanco mental que causa surpresa e quebra o determinismo do lugar-comum. Catalisador da cultura oral, abrange um vasto e variado campo semântico, coalhado por centenas de atribuições indevidas, no qual submergem autores e obras – campo bem definido pelo meta-aforismo de Elias Canetti: “Ao lermos os grandes aforistas, temos sempre a impressão de que todos se conheciam muito bem. Umberto Eco chamou de aforismo doente – ou “cancrizável” – aquela frase que, embora espirituosa, não se preocupa com o fato de que seu oposto seja igualmente verdadeiro. Já os de sentido irreversível são aforismos fortes, raríssimos, portadores de uma certa verdade não-convencional pois não podem ser obrigados, por uma torção retórica, a exprimir o sentido oposto – com claros efeitos paradoxais, pois nos obrigam a ver as coisas habituais mais além da opinião estabelecida. Neste vasto campo de pesquisas, através do exame de fontes de espectro variado, privilegiando dicionários e coletâneas de aforismos brasileiros, nosso objetivo é sugerir que para o historiador da cultura humorística, aforismos só ganham sentido a partir da analise de seus usos em contextos culturais e recortes temáticos muito singulares já que, como intérpretes de uma época, não investigamos propriamente o que faz as pessoas rirem mas, sobretudo o porquê delas rirem.
  • Sala 14- 10 de novembro das 14:15 as 14:30: Camila Rodrigues – Anedotários de Pedro Bloch e o humor com crianças
    Resumo: A partir da segunda metade do século XX, o médico foniatra, jornalista e escritor Pedro Bloch (1914 -2004), acostumado a dialogar com a meninada em seu consultório, manteve nas revistas Manchete e Pais & Filhos uma série de textos curtos e divertidos sobre a percepção que as crianças constroem do mundo, o que ele chamou de “anedotas de criança”, e que depois compilou em livros e até mesmo em dicionários infantis. Nas antologias destes textos cômicos publicadas por ele, que chamamos de anedotários, flagramos ricos momentos nos quais o humorista convoca a gurizada para compor anedotas, numa parceria que resulta em um afastamento do gênero “humor infantil” – aquele no qual a personagem principal da piada é invariavelmente uma criança – e se constrói uma mediação cultural mais complexa, onde a comicidade aparece como um filtro interventor que regula o movimento entre as percepções infantis e as adultas. É sobre tais questões que tratará essa comunicação.”
  • Sala 14- 10 de novembro as 15:00 as 15:15: Maria Margarete dos Santos Bene – Quaquaraquá, quem riu? A produção humorística sobre os negros na bellé époque brasileira
    Resumo: A presente comunicação tem como objetivo apresentar as primeiras reflexões da pesquisa de doutorado que está em desenvolvimento intitulada: “A produção humorística sobre o negro na belle époque brasileira”. Atrelamos o ato de rir a uma relação estreita com o objeto – daquele que se ri. A análise desta sociedade, pelo riso, nos proporciona uma leitura mais elucidativa, pois este possui um compromisso com o “não normativo”, “não sério”, o “indizível”. Ressalvamos que há muitas pesquisas que vinculam o riso ao humor e utilizam os dois termos com o mesmo sentido. Apesar do humor e o riso estarem intimamente relacionados, sabemos que não são a mesma coisa. O riso pode ser resultado do humor, mas nem todas as situações humorísticas irão provocar o riso, assim como, os seres humanos podem rir sem a percepção de humor. A estudiosa Verena Alberti adverte que as teorias do riso “precisam ser compreendidas, como a própria piada, o humor, a charge, etc., não apenas no contexto em que foram produzidas, mas também, precisam ser analisadas politicamente como construções de sentido que se referem a organizações específicas de poder”. O humor buscou historicizar as representações dos conflitos políticos, econômicos, culturais e sociais motivados pelo contexto da belle époque brasileira e as transformações por esta originadas, como por exemplo, as questões ligadas à nação, identidade nacional e a política de branqueamento. Diante disso, mostraremos que o problema negro foi maquiado em uma embaraçosa construção de identidade nacional, fundamentada em uma política de branqueamento, colocando o mestiço em categorias intermediárias, o qual ocupa espaços limítrofes, lugares de conciliação, que sedimenta a sua imagem entre o intermediário do preto e do branco.
  • Sala 14- 10 de novembro as 15:30 as 15:45: Leandro Antônio de Almeida – Paródia e sátira no romance “a mulher carioca aos 22 anos” de João de Minas
    Resumo: O objetivo deste trabalho é analisar a sátira no romance “A Mulher Carioca aos 22 Anos” (1934), de João de Minas, pseudônimo do jornalista e escritor Ariosto Palombo (1896-1984). Depois de militar pelo PRP em finais dos anos 1920, na década de 1930 buscou atuar junto ao público de amplos leitores e publicou ficção nos gêneros aventuras, sentimental e policial, os mais vendidos pelas grandes e pequenas editoras do período. Porém, longe de aderir aos padrões narrativos desses gêneros, na obra do escritor o humor através da sátira confere uma nota crítica à sociedade e um efeito paródico em relação aos gêneros que atua. Analisaremos como essas relações se estabelecem no romance “A Mulher Carioca aos 22 Anos”. Inspirado tanto no livro “Mademoiselle Cinema” quanto na ficção sentimental dos anos 1930, a sátira é construída a partir das desilusões da romântica protagonista Angélica em choque com atitudes e valores dos tipos canalhas e pervertidos que a cercam. A sátira direcionada contra a sociedade brasileira pós-1930 e os discursos otimistas da chamada “Era Vargas” termina por conferir um efeito paródico à obra, contrariando os finais felizes dos romances sentimentais do período. Esse efeito paródico foi percebido e condenado pela polícia e pelos críticos conservadores, que censuraram o livro por veicular pornografia sob a aparência de um romance “para moças”.
  • Anfiteatro E – 10 de novembro as 15:30 as 15:45: Patricia Tavares Raffaini – Ler e Rir. O humor para crianças nos livros infantis (1860-1920)

Mesa-Redonda de Encerramento:

Anfiteatro A – 11 de novembro das 16:30 às 18:30 – Elias Thomé Saliba: Deslizes e delícias da sátira humorística nas crônicas inéditas de Lima Barreto (1907-1921)
Resumo: Quais os graus de tolerância à sátira nas sociedades contemporâneas? Os trágicos atentados aos humoristas do Charlie Hebdo vieram apenas recolocar com urgência uma questão marcante na história das relações entre o humor – especialmente na sua modalidade satírica – e a sociedade. É significativo que na história brasileira a questão tenha sido pouco estudada. O objetivo desta palestra é abordar o tema dos limites a partir da analise das formas do humor satírico nas cronicas de Lima Barreto. Sabe-se, entre outras razões, que por exigências estéticas posteriores do projeto literário canônico do modernismo brasileiro, ocorreu um sutil ocultamento da força do humor satírico na obra do escritor. Tal ocultamento fica ainda mais visível com a recente publicação de um conjunto de 164 crônicas ( até então) inéditas do escritor, que ficaram perdidas em jornais em virtude do uso de diversos pseudônimos. Cobrindo, com alguma irregularidade, um período nevrálgico da história da Primeira República brasileira (1907-1922), as crônicas utilizam diferentes modalidades de sátira para confrontar o discurso dominante, desmontando seus efeitos exuberantes, submetidos às injunções do esnobismo mundano e da subserviência política. A associação da sátira do cronista Lima Barreto ao campo conceitual mais amplo do humor é contingente, mas certamente, seu esquecimento em função de uma validação literária ulterior é significativo, já que seu intuito primeiro e visceral era ético e não estético.

 

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